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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Paris, Paris...


Falar que Paris é uma cidade cheia de atrativos é dizer o óbvio, pois Woody Allen conseguiu mostrar o óbvio de maneira fascinante...
Assistir à Meia noite em Paris é sentir-se transitando pelas ruas parisienses e tendo vontade de sentar-se à mesa de um pequeno café ou imaginar-se andando à toa às margens do Sena.

Nunca fui muito fã de Allen, sempre achei cansativas aquelas falas intermináveis de seus personagens e suas divagações, mas no fim sempre me divertia com seu jeito meio caricaturado de mostrar como somos simples e complicados ao mesmo tempo.

Mas desta vez, pude admirar a genialidade deste escritor e fiz as pazes com Woody Allen quando saí do cinema. Em tempo: admirável atuação de Owen Wilson, impressionante como o protagonista Gil Pendler pareceu a personificação do diretor.

Gil é um roteirista norte-americano que embora bem sucedido, sente-se frustrado porque seu sonho é morar definitivamente em Paris e ser um escritor de qualidade, mas este desejo não é compartilhado pela noiva Inez. E mais. Para ele, a época ideal para viver foi a década de vinte, expondo um sentimento bem próprio do ser humano o qual reside em pensar que o tempo atual não corresponde às suas expectativas, que a glória de viver ficou no passado. Há um diálogo sobre isso, entre a bela e sensual Adriana e Gil, que mostra bem esta visão sobre o tempo. Outra curiosidade acerca do personagem está no fato de que ele curte a capital francesa quando está chovendo, mais uma razão de discórdia - em meio a tantas outras - entre ele e a noiva.

Agora, o ponto alto do filme mesmo são as incursões noturnas por Paris, em que a cada noite Gil parte para o (des)conhecido, e numa viagem no tempo, vai sendo apresentado a pintores, escritores e artistas dos anos 20!! Gente, que loucura você como espectador aguardando com certa ansiedade... quem vai surgir na tela depois de Hemingway, Zelda e Scott Fitzgerald, Cole Porter, Picasso e Gertrude Stein? Não vou revelar todos os que vão surgindo a cada badalada da meia-noite, mas não resisto a dizer que o encontro de Gil com Dalí (que usa um Moleskine!) é muito divertido! O filme leva o espectador a uma agradável experiência com aquilo que a literatura denomina de realismo fantástico!!

Saí da sala de cinema com aquela sensação de pesar "acabou? já?" e, ao mesmo tempo, carregando uma certeza: quero voltar a Paris, das duas formas possíveis! Comprando uma passagem para aterrissar em solo francês e, enquanto isso não se concretiza, ver o filme novamente...

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