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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Portugal mais perto


Quatro lugares reservados para uma noite especial... e no Casa Lisboa somos recebidos por simpática família de portugueses. Chegamos com aquela sensação gostosa da curiosidade, de quem vai provar o novo. Logo somos envolvidos pelo cordial atendimento e fazemos nossos pedidos com orientação da casa.

"Silêncio, que se vai cantar o fado!" E assim somos avisados de que a Noite do Fado vai começar...

Um vinho alentejano já fora escolhido para combinar com o aperitivo e o prato principal, fregueses visivelmente animados, parece que são frequentadores assíduos do restaurante. "Nada como um Monte Velho para acompanhar bolinhos de bacalhau" diz o Seu Antônio, ao passar por nossa mesa.


A voz vibrante da cantora portuguesa enche o ambiente e somos tomados por aquela sensação que só se experimenta quando se está tão perto do artista, ao vivo. "Lisboa menina e moça, amada/ Cidade mulher da minha vida" Isabel divide-se entre uma sala e outra, os comensais acompanham a letra da música, há emoção no ar... e as mesas vão sendo todas ocupadas.

"Coimbra é uma lição/ De sonho e tradição/ O lente é uma canção/ E a lua a faculdade/ O livro é uma mulher/ Só passa quem souber/ E aprende-se a dizer saudade"

Bolinhos de bacalhau e couvert devidamente apreciados, chega o pedido à mesa: bacalhau em postas

(a Lagareiro e à Casa Lisboa)... como jamais provei na vida! - quebraram-se minhas resistências quanto a este peixe - simplesmente saboroso!E tendo como acompanhamento algo nunca dantes visto e provado: migas!



Trata-se de uma delícia de mistura de migalhas de pão feito na casa, com feijão fradinho e couve, tudo bem temperadinho. E o Seu Antônio que ainda há pouco nos explicava como se preparam as migas, surpreende-nos ao soltar sua voz !

"Numa casa portuguesa fica bem pão e vinho sobre a mesa. Quando à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co'a gente. Fica bem essa fraqueza, fica bem, que o povo nunca a desmente. A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente."

Ambiente agradabilíssimo e uma conversa animada nos levam à segunda garrafa de Monte Velho e a outro prato de bacalhau... Alguns fregueses seguem Isabel e cantarolam as músicas portuguesas, outros pedem o fado de sua preferência...

"Canoa, Por onde vais?Se algum barco te abalroa,Nunca mais voltas ao cais, Nunca, nunca, nunca mais" O senhor da mesa ao lado emociona-se e emociona a todos...

...e as horas passam sem nos darmos conta!

Gostosa descontração entre os presentes quando Isabel pede que todos cantem o refrão : "pode ser mentira" ou "pode ser verdade" para acompanhá-la...

"Jurar que se gosta duma coisa gira

Pode ser mentira, pode ser mentira

Mas de brincadeira, sem haver maldade

Pode ser verdade, pode ser verdade

Quando a gente passa e um rapaz suspira

Pode ser mentira, pode ser mentira

Mas se for um homem já de certa idade

Pode ser verdade, pode ser verdade "

...e assim a alegria se espalha no Casa Lisboa!!

Em muitos momentos não pude evitar a lembrança da casa do vô e a voz de Amália Rodrigues saindo da vitrola. Aliás, não sei como explicar que mesmo depois de tanto tempo eu ainda soubesse trechos das músicas escolhidas por Isabel nesta noite.

"Teus olhos castanhos

de encantos tamanhos

são pecados meus,

são estrelas fulgentes,

brilhantes, luzentes,

caídas dos céus,

Teus olhos risonhos

são mundos, são sonhos,

são a minha cruz,

teus olhos castanhos

de encantos tamanhos

são raios de luz."



Para a sobremesa, pastéis de Belém, é claro!


Noite perfeita, digo, quase perfeita para nós que vamos conhecer as terras lusitanas no ano que vem, seguindo um roteiro já feito por Érico Veríssimo (de Évora a Vila Real) e estamos pretendendo uma maior proximidade com os costumes portugueses antes mesmo de partirmos. Mas por que "quase perfeita"? me perguntarão. Amigos, no embalo das emoções esquecemos o Porto para terminar a noite com chave de ouro. Perdão.


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