Quatro lugares reservados para uma noite especial... e no Casa Lisboa somos recebidos por simpática família de portugueses. Chegamos com aquela sensação gostosa da curiosidade, de quem vai provar o novo. Logo somos envolvidos pelo cordial atendimento e fazemos nossos pedidos com orientação da casa.
"Silêncio, que se vai cantar o fado!" E assim somos avisados de que a Noite do Fado vai começar...
Um vinho alentejano já fora escolhido para combinar com o aperitivo e o prato principal, fregueses visivelmente animados, parece que são frequentadores assíduos do restaurante. "Nada como um Monte Velho para acompanhar bolinhos de bacalhau" diz o Seu Antônio, ao passar por nossa mesa.
A voz vibrante da cantora portuguesa enche o ambiente e somos tomados por aquela sensação que só se experimenta quando se está tão perto do artista, ao vivo. "Lisboa menina e moça, amada/ Cidade mulher da minha vida" Isabel divide-se entre uma sala e outra, os comensais acompanham a letra da música, há emoção no ar... e as mesas vão sendo todas ocupadas.
"Coimbra é uma lição/ De sonho e tradição/ O lente é uma canção/ E a lua a faculdade/ O livro é uma mulher/ Só passa quem souber/ E aprende-se a dizer saudade"
Bolinhos de bacalhau e couvert devidamente apreciados, chega o pedido à mesa: bacalhau em postas

"Numa casa portuguesa fica bem pão e vinho sobre a mesa. Quando à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co'a gente. Fica bem essa fraqueza, fica bem, que o povo nunca a desmente. A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente."
Ambiente agradabilíssimo e uma conversa animada nos levam à segunda garrafa de Monte Velho e a outro prato de bacalhau... Alguns fregueses seguem Isabel e cantarolam as músicas portuguesas, outros pedem o fado de sua preferência...
"Canoa, Por onde vais?Se algum barco te abalroa,Nunca mais voltas ao cais, Nunca, nunca, nunca mais" O senhor da mesa ao lado emociona-se e emociona a todos...
...e as horas passam sem nos darmos conta!
Gostosa descontração entre os presentes quando Isabel pede que todos cantem o refrão : "pode ser mentira" ou "pode ser verdade" para acompanhá-la...
"Jurar que se gosta duma coisa gira
Pode ser mentira, pode ser mentira
Mas de brincadeira, sem haver maldade
Pode ser verdade, pode ser verdade
Quando a gente passa e um rapaz suspira
Pode ser mentira, pode ser mentira
Mas se for um homem já de certa idade
Pode ser verdade, pode ser verdade "
...e assim a alegria se espalha no Casa Lisboa!!
Em muitos momentos não pude evitar a lembrança da casa do vô e a voz de Amália Rodrigues saindo da vitrola. Aliás, não sei como explicar que mesmo depois de tanto tempo eu ainda soubesse trechos das músicas escolhidas por Isabel nesta noite.
"Teus olhos castanhosde encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caídas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz."
Para a sobremesa, pastéis de Belém, é claro!

Noite perfeita, digo, quase perfeita para nós que vamos conhecer as terras lusitanas no ano que vem, seguindo um roteiro já feito por Érico Veríssimo (de Évora a Vila Real) e estamos pretendendo uma maior proximidade com os costumes portugueses antes mesmo de partirmos. Mas por que "quase perfeita"? me perguntarão. Amigos, no embalo das emoções esquecemos o Porto para terminar a noite com chave de ouro. Perdão.
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