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| Na estrada, qualquer que seja ela |
Durante as anos da minha juventude admirava as pessoas que tinham a coragem de mudar de cidade, de país - continuo admirando-as. Bem, naquela época acabou tornando-se um desejo pessoal: "um dia vou-me embora e conhecerei outras realidades". Havia nesse desejo um quê de aventura.
Um dia veio a oportunidade:- Abriu uma vaga em outra cidade, o que você acha?
- Aceita logo! - foi o que respondi para espanto de meu marido.
Não sou ligada ao que todos denominam chão, raízes, terra natal... Contrariando o pensar de muitos amigos.
Mudar é tudo de bom, mudar é renovar, mudar é aprender e crescer... Mudar geograficamente provoca renovação no âmbito pessoal.
O fato é que tais mudanças provocam outras mudanças em cadeia, mais íntimas; não sou a mesma de quando saí da minha cidade natal (não há aqui nenhuma crítica aos que pensam diferente, escrevo apenas sobre minha experiência pessoal).E quando a ela retorno, a sensação de não-pertencimento àquele lugar fica mais forte, considero-me uma pessoa do mundo.
Não sou daqui, não sou de lá. Sou de lugar nenhum, sou de todos os lugares. Isso ficou bem claro, pra mim, nas viagens que fiz: foram pequenas mudanças também. Estive fora do meu país algumas vezes, habitei casas e apartamentos, frequentei bairros e vizinhanças, usei transporte público e tornei-me freguesa de padarias, açougues,farmácias, feiras e mercados, falei outro idioma. E, ainda assim, senti-me em casa.
Meu lugar é onde me sinto bem, seja ele onde for.

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