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sexta-feira, 27 de março de 2020

Mudanças, mudanças
Na estrada, qualquer que seja ela 

Durante as anos da minha juventude admirava as pessoas que tinham a coragem de mudar de cidade, de país - continuo admirando-as.  Bem, naquela época acabou tornando-se um desejo pessoal: "um dia vou-me embora e conhecerei outras realidades". Havia nesse desejo um quê de aventura.
Um dia veio a oportunidade:
 - Abriu uma vaga em outra cidade, o que você acha?
 - Aceita logo! - foi o que respondi para espanto de meu marido.
 Não sou ligada ao que todos denominam chão, raízes, terra natal... Contrariando o pensar de muitos amigos.

A primeira mudança é marcante. Logo em seguida, outra; e mais outra e outras mais Ao final de 20 anos, seis vezes elas se repetiram e o desejo do passado tornou-se realidade.
Mudar é tudo de bom, mudar é renovar, mudar é aprender e crescer... Mudar geograficamente provoca renovação no âmbito pessoal.

O fato é que tais mudanças provocam outras mudanças em cadeia, mais íntimas;  não sou a mesma de quando saí da minha cidade natal (não há aqui nenhuma crítica aos que pensam diferente,  escrevo apenas sobre minha experiência pessoal).E quando a ela retorno, a sensação de não-pertencimento àquele lugar fica mais forte, considero-me uma pessoa do mundo.

Não sou daqui, não sou de lá. Sou de lugar nenhum, sou de todos os lugares.  Isso ficou bem claro, pra mim, nas viagens que fiz: foram pequenas mudanças também. Estive fora do meu país algumas vezes, habitei casas e apartamentos, frequentei bairros e vizinhanças, usei transporte público e tornei-me freguesa de padarias, açougues,farmácias, feiras e mercados, falei outro idioma. E, ainda assim, senti-me em casa.

Meu lugar é onde me sinto bem, seja ele onde for.

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