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terça-feira, 2 de junho de 2020

Os filhos de Helena

G1, G2 e G3 e o amor na pele
Dois anos de diferença entre cada um: 1961, 1963 e 1965. A mais velha veio na véspera de ela completar 21 anos. Para quem não sabe, somos os irmãos G (inicial dos nossos nomes).


Seríamos quatro irmãos, na verdade. O G4 estaria na foto. Mas o caçula para nós ficou apenas no imaginário. Gilberto nasceu morto em 26 de dezembro de 1967. Meu irmão, o G2, conta que esperava a mãe chegar da maternidade trazendo um bebê nos braços. Isso não aconteceu. Nossa mãe, segundo ele, trouxe uma lata de bolacha champanhe. Teria sido um presente? O fato é que aquela lata de biscoitos permaneceu em nossa lembrança, estava sempre em algum lugar.
Nossa mãe conta que durante vários anos sofreu ao nos ver vibrando com a Páscoa ou com o Natal e pensar que Gilberto podia estar ao nosso lado, fazendo parte de tudo.
Hoje, como mãe, entendo sua tristeza de carregar nove meses aquele filho e não tê-lo no colo ao voltar pra casa. A morte de um filho dói nas mães de uma forma marcante, não importa a idade que ele tenha: um bebê, uma criança, um jovem, um adulto ou um natimorto (que é o que consta na certidão dele).

Mas a vida segue. E Helena seguiu a vida com seus três outros filhos.  
Helena era o que hoje chamamos de mãe solo. Separou-se de nosso pai, virou chefe de família. Voltou para a casa dos pais e lá ficou por dez anos. Procurou trabalho, cuidou de nosso sustento e estudo. Única opção para ela; boa decisão para nós, já que a casa dos avós foi sinônimo de infância tranquila e segura.
Depois de um tempo em que cada um de nós seguiu seu destino, hoje somos mais unidos do que nunca. Ela nos aceita como somos: rebeldes, anarquistas, sonhadores. Temos até codinomes entre nós: Falcão Voraz, Gavião Silencioso e Tequila Ardente! Hahahahaha E nossa mãe é nosso bem maior, é o nosso Buquê de Flores! Muito devemos a ela, e é hora de sermos nós a cuidarmos dela. Alguém já disse que nos tornamos os pais de nossos pais. É isso! É justo! Aquela pessoa que tudo fez por nós, agora merece ter toda atenção. A mãe que muito nos ensinou, agora aprende com a gente. Aprende a ser feliz, aprende a viver sem preocupação com as obrigações maternas (mas ainda me pergunta se já fiz um lanchinho!), aprende a desligar-se dos problemas e apenas aproveitar a vida e a nossa companhia. Por isso, sempre que estamos juntos, nossa maior alegria é vê-la sorrindo, rindo, dançando, dando gargalhadas com nossas bobeiras.

Se somos pessoas felizes, devemos a ela. Dona Helena que sempre pensou no bem-estar de seus filhos pode considerar-se vitoriosa! Escrevo este texto em homenagem a essa mulher que sempre foi meu espelho. Neste ano, ela faz 80 anos. A ideia era comemorar a seu lado em grande estilo, não com festa grandiosa (ela nunca gostou), mas entre nós fazendo o que ela mais gosta: uma bagunça com os filhos. A pandemia modificou os planos. Vamos ter que aguardar uma época mais propícia.




3 comentários:

  1. Gelsa querida Obrigada por essa homenagem tão sincera e carinhosa!
    Eu amo vocês!
    Bjs. Para vocês 😘😘😘

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  2. Como sempre a sensibilidade brotando solta! Linda homenagem, para esta mulher e mãe guerreira e vitoriosa. Beijos afilhadinha querida!

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  3. Pessoa admirável. Amo muito. Tanto que agora também tenho uma Helena. Parabéns pra tia.

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