E-mail. Twitter. Torpedinhos via celular.
Mensagens instantâneas. Conversas através de vídeo. Todo o mundo conectado, o tempo todo. A comunicação não para.
Quem vive esta modernidade desde
que nasceu, nem sabe o que é escrever para alguém e esperar uma semana, ou duas... para
receber a resposta... Quem tem a idade da Maria Augusta acompanha essa tecnologia,
mas já viveu outra realidade.
Havia o bloco de cartas. A caneta tinteiro
(instrumento que fazia exercitar a paciência do escritor, qualquer descuido ou
pressa resultava em borrão!!) Maria Augusta dedicava-se a escrever cartas desde
que aprendera no colégio a usar a tão sonhada caneta tinteiro e lhe fora permitido usar o bloco de cartas. Seguia todo um ritual
para postar uma carta: sentava-se à mesa da sala da frente – local onde
realizava as tarefas escolares diariamente – e escrevia seu rascunho enquanto a
vó fazia o crochê e ouvia a Rádio
Aparecida. Quinze horas marcava o relógio do corredor. "Espero que esta a encontre bem de saúde. Por aqui estamos todos bem."
Depois passava a limpo com todo cuidado naquele papelzinho fino, tão delicado, que no final receberia alguns assoprões para secar a tinta e, então, seria dobrado meticulosamente em três partes antes de ser posto dentro do envelope, aquele de bordas em verde e amarelo, indicando remetente brasileiro. Para subscritar o envelope usava régua e traçava algumas linhas a lápis (bem fraquinho, para não marcar o papel) e assim tinha certeza de que o endereço não ia ficar todo torto. Dava uma lambida na cola do envelope para fechá-lo (argh!). Tempos depois, já era possível pular esta parte e fechar o envelope e colar o selo com a goma oferecida nos balcões do Correio. Era super divertido, ir ao correio, comprar o selo, e enviar a cartinha ao seu destinatário. Difícil era a espera pela resposta!
Havia o bloco de cartas. A caneta tinteiro
(instrumento que fazia exercitar a paciência do escritor, qualquer descuido ou
pressa resultava em borrão!!) Maria Augusta dedicava-se a escrever cartas desde
que aprendera no colégio a usar a tão sonhada caneta tinteiro e lhe fora permitido usar o bloco de cartas. Seguia todo um ritual
para postar uma carta: sentava-se à mesa da sala da frente – local onde
realizava as tarefas escolares diariamente – e escrevia seu rascunho enquanto a
vó fazia o crochê e ouvia a Rádio
Aparecida. Quinze horas marcava o relógio do corredor. "Espero que esta a encontre bem de saúde. Por aqui estamos todos bem."Depois passava a limpo com todo cuidado naquele papelzinho fino, tão delicado, que no final receberia alguns assoprões para secar a tinta e, então, seria dobrado meticulosamente em três partes antes de ser posto dentro do envelope, aquele de bordas em verde e amarelo, indicando remetente brasileiro. Para subscritar o envelope usava régua e traçava algumas linhas a lápis (bem fraquinho, para não marcar o papel) e assim tinha certeza de que o endereço não ia ficar todo torto. Dava uma lambida na cola do envelope para fechá-lo (argh!). Tempos depois, já era possível pular esta parte e fechar o envelope e colar o selo com a goma oferecida nos balcões do Correio. Era super divertido, ir ao correio, comprar o selo, e enviar a cartinha ao seu destinatário. Difícil era a espera pela resposta!
Mas gostoso mesmo era a ida ao
correio acompanhada do avô. “Vamos pegar a correspondência na caixa postal?” – ele dizia. Na saída
passavam pelo cabideiro do corredor e ele pegava seu chapéu e guarda-chuva (prevenido!). Desciam as
escadas, fechavam a porta e saíam pela rua sem pressa. Não iam em silêncio. O vô
gostava de dar conselhos e acompanhar a vida escolar de Maria Augusta. “Como
estão as notas no colégio? Está tudo legal, vô. Tirei um dez em matemática e um
dez em inglês. Ótimo! Mas é mais importante falar
bem a nossa língua, que é uma língua muito rica! Sabe o que é legal? Algo que
está dentro da lei.Não aprovo estas gírias.” Passavam as ruas com cuidado, ele a orientava para olhar os dois lados. Encontram algum conhecido... “Bom dia! Como vai o
senhor?” A Rua Correia Pinto vai ficando para trás. Chegam à esquina do Banco Inco. “E o comportamento? Como
está? Não adianta tirar dez e não ser disciplinada. É preciso respeitar os
professores! Claro, vô, sou uma boa aluna nisso também. Eles deviam dar nota
para o comportamento dos alunos, não é só a matéria que interessa!” Alguém pode
pensar que o diálogo entre eles desagradava a menina por conter tantas recomendações,
mas a verdade é que o avô não lhe falava em tom de repreensão;
era aquele jeitinho dele, calmo, explicando as coisas, sem alterar a voz. Soava
como um cuidado, ele se importa com ela, ele quer o seu bem, o vô lhe mostra o
que é certo e ela gosta disso.


Nenhum comentário:
Postar um comentário