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sexta-feira, 13 de maio de 2011

O destino quis assim...



Além-mar, em terras portuguesas deu-se o encontro de Antônio Joaquim e Maria de Jesus e dessa união nasceu Francisco José de Sousa.

Em outra família portuguesa houve a união de Filipe José Rodrigues e Ana Maria, e dela nasceu Felizarda de Jesus Rodrigues de Sousa.

Ora pois, Francisco e Felizarda se encontraram e se casaram, e aos 17 dias do mês de março de 1894 em Vila Real, na região de Trás-os-Montes, nascia o miúdo Mário Augusto de Sousa.

Cá, do outro lado do Atlântico, Cândido de Andrade e Maria Jacinta de Andrade se casaram e nasceu Luiz Cândido de Andrade.

Luiz casou-se com Bernardina Sousa Andrade e dessa união nasceu em 29 de outubro de 1906, Gelsumina Cândida de Andrade, a quem todos preferem chamar de Gelsa.

O tempo passa a correr e, em 1911, o jovem português Mário Augusto, então com apenas 17 anos, vem para terras brasileiras e viaja “por mares nunca dantes navegados”... está a escapar da guerra a mando de seu pai. Afinal ele era o único filho homem e poderia ser convocado para dela participar. Era o destino fazendo das suas, ó pá... Para Portugal ele nunca mais voltaria, embora tivesse muito amor pela pátria querida.

Em 1923, na cidade de Blumenau, a Rua das Palmeiras foi palco para um importante acontecimento: o gajo Mário Augusto, já aos 29 anos, está a andar pela rua e interessa-se por uma rapariga que está à janela, tão distraída que nem o vê. Até parece que o acontecido serviu de mote para os versos que Fernando Pessoa ainda viria a escrever:

“Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P’ra saber que a estão a amar!”

Era o destino, mais uma vez, fazendo com que os caminhos de Mário e Gelsa se encontrassem. E de que maneira curiosa, meu Deus, ela estava a aproveitar o sol para secar os cabelos, após o banho, por isso não o notou!!!

Naquela época, ele havia se hospedado em um hotel daquela rua porque era vendedor da Souza Cruz e estava a trabalho na cidade. Foi amor à primeira vista, que podia ser cantado em um fado, mas já dizia Amália Rodrigues: ”um fado não se canta, acontece.”

Esteve a passar por lá outras vezes na esperança de a encontrar novamente. Encontrou. E na segunda vez em que a viu, já pediu permissão para entrar na casa dela e a pediu em casamento. Disse que voltaria em seis meses pra se casar com ela e, durante esse tempo trocaram algumas cartas. Palavra dada, palavra cumprida. Dia 8 de janeiro de 1924 Mário e Gelsa unem-se em matrimônio.




Difícil imaginar um casamento começando dessa maneira (você casaria?), mas bastaram esses poucos encontros para uma história que durou 53 anos de união (e por causa dela cá estou...)

O jovem casal parte de vapor para São Paulo, vai morar em Botucatu, onde nasce Gil, o primeiro filho. Lá, Gelsa teve uma grata surpresa ao encontrar a casa que Mário havia montado para eles: a casa estava pronta!! “Uma casa portuguesa com certeza!” Com tudo dentro, completinha, inclusive os talheres! Ela dizia que foi uma sorte o Mário ter pensado em tudo, porque os presentes de casamento que ela levou consigo eram apenas vasos e outros objetos de decoração...


Mais tarde, mudam-se para Lages onde nascem os outros 14 filhos!

Ah, se não fossem aqueles três encontros em Blumenau... essa não seria a minha origem, ó pá!


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